O Corinthians voltou à mesa para tentar reorganizar uma dívida milionária com o atacante Memphis Depay. O débito, que já se aproxima de R$ 30 milhões, envolve luvas e bônus por desempenho e virou um dos principais nós do clube neste início de temporada.
O acordo firmado no ano passado previa cerca de R$ 23 milhões, parcelados entre dezembro de 2025 e março de 2026. A diretoria, porém, não conseguiu cumprir o cronograma. Com a Copa do Brasil no currículo, novos bônus contratuais foram ativados e o valor inchou ainda mais.
Agora, o departamento financeiro discute um novo modelo de pagamento, diferente do parcelamento original. A pendência trava qualquer conversa concreta sobre renovação. O contrato de Depay vai até 20 de junho, e o holandês já pode assinar pré-contrato com outro clube, saindo sem custos ao fim do vínculo.
Em entrevista à Rádio Bandeirantes, o executivo de futebol Marcelo Paz indicou abertura do jogador para permanecer, desde que as contas sejam acertadas.
“Existe, sim, vontade do Memphis de ficar, mas isso passa necessariamente pela resolução dessas pendências financeiras”, afirmou.
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Passivo bilionário e caixa estrangulado
A dificuldade em honrar luvas e premiações expõe um cenário mais amplo: o passivo do Corinthians ultrapassa R$ 2,8 bilhões, pressionando o fluxo de caixa mesmo após entradas relevantes.
Recursos recentes, como premiação do Brasileirão 2025, o bônus pelo título da Copa do Brasil e um empréstimo de R$ 70 milhões junto à Liga Forte União, foram direcionados a despesas operacionais e quitações urgentes. Entre elas, R$ 41,3 milhões ao meia Matías Rojas e R$ 33,4 milhões ao Santos Laguna, pagamentos necessários para encerrar o transfer ban que travou registros por quase cinco meses.
Parte da premiação da Copa do Brasil também foi consumida pelo pagamento de bichos a atletas e funcionários, apertando ainda mais a margem financeira. O aperto ficou claro na desistência da contratação de Alisson, do São Paulo: o clube recusou desembolsar R$ 1,5 milhão pelo empréstimo, mesmo com a negociação encaminhada.
Dentro de campo, peso; fora dele, incerteza
Desde que chegou, Depay soma 66 jogos, títulos do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil, 19 gols e 14 assistências. Em campo, segue peça-chave. Fora dele, sua permanência depende de algo menos vistoso que gols e dribles: a capacidade do clube de reorganizar as finanças antes que o relógio contratual chegue ao zero.
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